As discussões em torno do Pix naturalmente vêm ganhando mais evidência nos noticiários econômicos, tendo em vista o lançamento da ferramenta neste mês.

E para além dos benefícios que o Pix em si pode trazer para varejistas e consumidores em geral, a forma como essa ferramenta vai funcionar na sociedade civil tem muito mais a nos dizer sobre um capítulo mais amplo na história do setor financeiro: o open banking.

A discussão foi retomada recentemente em editorial do Estadão e vale a pena conversarmos um pouco mais sobre esse cenário.

Para quem já ouviu falar, mas não tem muita familiaridade com o termo: a premissa central do open banking é criar um conjunto de regras para o uso e compartilhamento de informações financeiras entre as instituições para que haja uma oferta mais ampla de serviços no mercado.

Seguindo esse molde, os usuários desses serviços também teriam mais autonomia para controlar seus dados e fazer movimentações financeiras, sem tanta dependência de instituições bancárias, como acontece no modelo atual. Isso criaria um ambiente de maior competitividade e paridade entre bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs em geral.

É de conhecimento público que o Banco Central tem intenção de implementar o open banking no Brasil e o lançamento do Pix pode ser enxergado como um passo neste sentido.

Por essa ótica, podemos imaginar que a observação sobre a aderência do consumidor e a jornada de adaptação das instituições financeiras servirão como termômetro para entender o mercado, bem como oportunidade para criar as bases para desenvolver o open banking no país.

Hoje, temos como exemplo Reino Unido e Índia desenvolvendo modelos de open banking que estão funcionando com sucesso. Com a ressalva das diferenças socioeconômicas e culturais existentes em relação ao Brasil, o fato do open banking estar seguindo por um caminho positivo nesses países é um bom referencial para que o Bacen siga observando.

Globalmente, os desafios do open banking, como foi bem pontuado no editorial citado acima, é a preocupação com fatores como garantia de proteção de dados compartilhados, verificação da identidade dos usuários e segurança nas transações financeiras.

Neste aspecto, um amparo legal que já existe no sentido de reforçar a segurança e a proteção da identidade dos usuários é a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entrou em vigor recentemente.

Em um âmbito mais prático, o Bacen tem o desafio neste momento de conquistar a confiança do mercado e dos usuários em relação ao Pix. Afinal, o nível de confiabilidade na ferramenta garante mais abertura e segurança por parte da população em relação a um modelo de open banking no futuro.

É impossível predizer quanto tempo levará para que essa pauta evolua, mas é importante estar sempre de olho não só no agora, mas no que possivelmente virá pela frente.

Um modelo de open banking bem estruturado pode ser uma ótima notícia tanto para os players do mercado quanto para a população em geral, tendo em vista o aumento da oferta de produtos e serviços, e a possibilidade de aumentar a inclusão financeira.

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