Na esteira das ações focadas em modernizar e simplificar os meios de pagamento, o Banco Central trabalha atualmente em maneiras de flexibilizar as normas cambiais para permitir a expansão do PIX para operações internacionais.

Por hora, o PIX Internacional não tem data de lançamento, mas os avanços até agora para que essa ferramenta se concretize são muitos e essa notícia é muito animadora tanto para fintechs quanto para o pequeno e médio varejista. Isso porque com a possibilidade de uso da ferramenta para transações internacionais, as empresas de menor porte terão mais facilidade de acessar o mercado externo. 

A agenda do BC prevê uma série de mudanças nas normas cambiais que vão abrir espaço para a chegada do PIX Internacional. Desde a data do lançamento do PIX doméstico até janeiro deste ano, a autoridade monetária realizou uma consulta pública com foco na evolução dos facilitadores de pagamentos internacionais. A ideia é trazer novos arranjos de pagamento dentro da regulamentação cambial, o que pode ampliar as possibilidades das fintechs na prestação de serviços. Esses esforços estão alinhados com uma tendência global de facilitar e baratear as transferências internacionais. 

Além da consulta pública, há também um projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados e que atualmente tramita no Senado, o qual prevê princípios como eficiência, concorrência e simplificação nas operações cambiais. Tudo isso deve abrir o caminho para que fintechs e outras instituições de pagamento se somem a bancos e corretoras nas operações de câmbio. 

A inclusão de agentes financeiros que facilitem a entrada e saída de recursos financeiros do país é benéfica para todas as pontas. Nas transações de pessoa física, facilita a vida, por exemplo, de brasileiros que moram no exterior e enviam remessas de dinheiro para auxiliar o sustento de suas famílias no Brasil. No caso de micro, pequenas e médias empresas, abre um universo de novas possibilidades, uma vez que as fintechs e instituições de pagamento poderão oferecer serviços que facilitem o comércio exterior. 

Para vislumbrar como isso pode ser transformador para os pequenos negócios, é interessante observar o que vem acontecendo na China, onde os pagamentos digitais já estão bem maduros. Pequenos produtores de áreas rurais expandem seus negócios com infraestrutura para exportar mercadoria para outros países. Para entender um pouco mais sobre esse processo, vale a pena conferir este episódio do Expresso Futuro, em que Ronaldo Lemos esteve na China pouco antes do início da pandemia e mostrou mais de perto como a economia vem funcionando com a digitalização dos pagamentos. 

A adesão ao PIX vem acontecendo em um ritmo acelerado e muito animador. Em um primeiro momento, o boom aconteceu entre pessoas físicas e agora a ferramenta vem ganhando espaço no varejo. Do lado de cá, encaro o PIX Internacional como uma evolução desse sistema, uma ferramenta com enorme potencial de impulsionar negócios de diversos portes. Tendo em vista o quanto o ano passado foi turbulento para o varejo e este ano permanece cheio de desafios, pavimentar o caminho para a evoluir o PIX em transações internacionais pode ser uma porta para que o varejo viva anos de recuperação e crescimento. 

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